21 agosto 2006

---MUDANÇA DEFINITIVA NO MEU SISTEMA DE VALORES---

16 agosto 2006

Nietzsche


O verdadeiro, o único, na sua derradeira máscara...

15 agosto 2006



Lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado

Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira no peito um grito,
à desfilada

Canta rouxinol canta
não me dês penas,
cresce girassol cresce
entre açucenas

Afaga-me o corpo todo
se te pertenço,
rasga-me o ventre ardendo
em fumos de incenso

Lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado

Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira no peito um grito,
à desfilada

Ai como eu te quero,
ai de madrugada,
ai alma da terra,
ai linda, assim deitada

Ai como eu te amo,
ai tão sossegada,
ai beijo-te o corpo,
ai seara, tão desejada.



Fausto, Por Este Rio Acima (1982)

08 agosto 2006

Kadoc - Nighttrain


A minha avó... de fato de treino
Heroes del Silencio - Entre dos tierras

05 agosto 2006

Rammstein - Rosenrot



Grande vídeo... Perfeito.

---WAS SIE WILL BEKOMMT SIE AUCH---

Vaya Con Dios - Nah neh nah

The White Stripes - Fell In Love With A Girl



---SHE'S IN LOVE WITH THE WORLD---

04 agosto 2006

Jacques Brel, Ne me quitte pas

Assim, completamente desgraçado, de rastos, pressentindo a miséria do que poderá um dia acontecer, assim te digo:


03 agosto 2006

I do not swear I will remember you;
I have sworn that before - and have forgot,
and vowed eternities too many times
to tarnish this with phrases I hold cheap.
I will not even say you are my love;
the word is trite, beribboned, tired with use,
and has grown sickly with the world's abuse.

I say that you are young, when all around
the years are weary, hearts destroy themselves,
and the bright morning of an April day
scarcely moves the dark; and you are clean
when dust of ages blows about the fields
and the new corn is stifled at its birth.
I say that I would choose, if choice were mine,
with all the honesty my heart can give,
to be your fellow out across the hills.

I do not swear I will remember you.
The lines we follow may diverge today
to meet each separate end. But I can say
when I am old, that once the world was true
and I was fearless and was not alone,
and broke the barriers of blood and bone
into the regions of a brighter star;
and when I smell the fragrant dusk of spring
I will be still with joy, remembering
these days no threat, no falsity can mar.



Jane Tyson Clement, No One Can Stem the Tide: Selected Poetry 1931-1991

30 julho 2006

Portishead - All Mine




WE SHALL EXIST UNTIL THE DAY I DIE


Há coisas inexplicáveis... tais como gostar de ti, ao mesmo tempo que gosto desta música... Bizarro! Mas que importa... tanto tu como a música me fazem feliz.

Bob Marley - Waiting in vain

27 julho 2006

Sepultura - Territory





Unknown Man
Speaks To The World
Sucking Your Trust
A Trap In Every Word

War For Territory
War For Territory

Choice Control
Behind Propaganda
Poor Information
To Manage Your Anger

War For Territory
War For Territory

Dictators’ Speech
Blasting Off Your Life
Rule To Kill The Urge
Dumb Assholes’ Speech

Years Of Fighting
Teaching My Son
To Believe In That Man
Racist Human Being
Racist Ground Will Live
Shame And Regret
Of The Pride
You’ve Once Possessed

War For Territory
War For Territory
Estar a comer uma fatia de bolo de chocolate acabado de sair do forno, sentado num divã perfeito para as medidas do meu corpo, escutando Verdi e inalando opiáceos de incenso, num fim de dia quente de Verão. Haverá algo mais tranquilizante, mais remediador para o espírito? Sim; haverá sempre algo melhor, qualquer que seja a situação que se lhe oponha: estar contigo, nem que me estejas a fazer mal.


Pela manhã cedo, o pequeno Buda saía do seu palácio e entrava floresta adentro. Havia aí um lugar quase inacessível onde ele gostava de se sentar, ser rodeado por todas as formas de vida da Natureza, e rir. Esses momentos do dia eram sempre amenos; qualquer que fosse a época do ano, havia sol, e céu azul. A Natureza amava o rapazinho gordo de olhos semicerrados que a fazia feliz. Às vezes, o pequeno Buda recebia uma visita da cidade, para aconselhamento, mas só se encontrava com ele quem conseguisse chegar àquele lugar. As suas lições de vida eram muito apreciadas, não tanto pela vaguidade de um conselho oracular, mas pela simplicidade, carregada de profundos conhecimentos de vida, de que essas pequenas frases se compunham. Ninguém amava eroticamente o ser mais amado da Natureza, e, um dia, um viajante alemão, de olhos esbugalhados, por trás das lunetas curvas e pequenas, que ao fim de dois meses conseguira encontrar aquele ser que, fisicamente, classificou de "anão com peso regular"; esse viajante alemão perguntou ao pequeno Buda porque é que ninguém de entre os Homens o amava. O pequeno Buda, com poucas palavras, explicou àquele senhor de hábitos estranhos e sotaque acentuado que a Mãe Natureza amava Buda pela mesma razão que o fazia não ser amado por ninguém. A Mãe amava Buda porque ele era o oposto de toda a beleza que os homens admiram. Buda era a beleza primordial, a beleza quase selvagem, quase Terra. E a Mãe alimentava-se da Terra. Como o pequeno Buda era quase tão filho da Terra como da Mãe, a Mãe alimentava-se da Terra que Buda era e tinha. Porque Buda não era humano; humano era o corpo em que a Mãe o engarrafara. Duas horas depois, o alemão era ainda um vazio pleno de incertezas.

26 julho 2006

The Doors - Touch Me




TILL THE STARS FALL FROM THE SKY
Mão Morta - Escravos do Desejo



---DÓI-ME A ALMA---

Moonspell - Magdalene



Have you ever loved a woman
who should be that little intruder
in the one that you should be

Share the snake with us,
swallow the snake for us...

You have learnt heaven through impure lips
so different from what you have been told
so different from what you have seen

And now that you learned you will have to release
the tender arms of a woman
which would have strangled you to let you live
you will have to elect (choose) the fainting arms of this cross
which are just killing you to let you live...

Share the snake with us,
follow the snake for us...

25 julho 2006

The Rolling Stones - Paint It Black

Rammstein - Stripped

Rammstein - Sonne



The Snow White... Is You

Longe de tudo; sozinho, por minha conta, responsável pelos meus actos. Sem alguém que me vista com seus gestos, como tinha Sophia. Estou neste momento nesse mundo árido de um tempo real, esse mundo em que Vergílio Ferreira sentiria uma abafação de todo o espaço, uma pressão que lhe fazia carregar a cabeça de sangue. Esse mundo em que um aristocrata de Eça tomaria constantemente as decisões erradas, sempre esperando pela sua riqueza para o segurar, sempre mantendo a sua pose. Aqui, Campos estaria eufórico, absorvendo a multiplicidade de imagens que a Boavista, pela manhã, pode dar - ou estaria ansiando por um qualquer navio onde, encostado para trás na cadeira do convés, pudesse partir para o sossego. Reis estaria a ir-se embora também, em direcção ao campo, onde está Caeiro. O Ortónimo deprimiria entre tragos de vinho e sorvadas de ópio. Antero, perante a mendigagem que, pelos chãos, faz o triste espectáculo de serem como são e, sem qualquer estima para si próprios, no fim pedem o óbulo do espectáculo; Antero, ao vê-los, suspiraria por um Socialismo que, já o sabemos agora, nunca existirá. Quanto a mim, que não posso estar junto de todos eles, visto a roupa de estar nesta sociedade, escondendo dentro de mim o selvagem que quer um dia estar sozinho: fiz a minha escolha, Aristóteles, não sou deus, sou animal.

24 julho 2006

FIM
quando voltaste, os teus olhos e as tuas mãos eram
chamas a falarem para mim.
eu estava na cama onde nasci vezes demais.
peço-te, nunca esqueças o meu olhar de quando
voltaste.
era de noite. eu não esperava mais nada.
e tu voltaste. tão bonita.
és tão bonita. no mundo, deve haver um jardim tão
bonito como tu.
voltaste.
eu sorri tanto. fui feliz e, nesse momento, morri.
José Luís Peixoto, A Casa, a Escuridão (2002)

23 julho 2006

EX IMIS TEMPORIBVS

05 julho 2006

NIETZSCHE:
Oh no—
Let’s face it. Nobody likes being chained
to the wall by somebody else’s imagination.
Please! Wipe me out!

THE DANGEROUS MAN:
I’d do it if I could, Mr. Nietzsche.

NIETZSCHE:
You can do it. I want things said to me—
that will be very disturbing —not to other
people of course, but to myself in particular.
I want things said to me, that will cut into
me like a knife. In that hope, I want everybody’s
collaboration.

THE CHILD:
Why should we collaborate with you, Mr.
Nietzsche? A: We do not trust you, and B:
we do not like you.

Richard Foreman, Bad Boy Nietzsche

15 junho 2006

JORNADA - 4

Vasco da Gama; correnteza de cadeiras no andar da restauração, cá fora, a ver o rio. O melhor sítio do Vasco para um dia quente de sol. Mas nem a cúpula da Utopia me distrai de ti. Queria-te aqui, a ver isto comigo. Não teria necessidade de escrever-te, porque estavas a viver tudo isto comigo. Vou aqui ficar um pouco mais, a lembrar-me dos momentos até agora em comum contigo, vou ver a tua imagem, e vou juntar-te a mim - desejando que aconteça fora da imaginação.

14 junho 2006

JORNADA - 3

Saindo pela porta giratória do CCB, no Centro de Exposições, o cantinho mais à esquerda, resguardado por uma pequena selva cor-de-rosa. Já almocei, no McDonald's de Belém, depois comprei uma embalagem de seis pastéis, comi dois, e um farto pedaço de salame de chocolate. Nem assim, tal não chegará nunca, como nada chegará, para que te esqueça. A todo o momento dou por mim a correr para a tua imagem que trago comigo. Encher-te de mimos; dar-te o que sinto por ti. E, juntos, olharmos a parte da Margem Sul e do Tejo que se pode avistar daqui; enquanto olhavas, ia enchendo esse terno pescoço de repenicados beijos. Tudo seria tão melhor, se estivesses aqui!

13 junho 2006

JORNADA - 2

Anfiteatro dos Jardins Gulbenkian. Lugar mágico. Até parece que não há aqui ninguém, até parece que não passam aviões por cima a toda a hora, como se os pássaros, as folhas ao vento, a sombra das árvores, todo este bucolismo abafasse a vida que há à volta. Era capaz de viver aqui para sempre. Aqui, na segunda fila a contar da direita (vindo do acesso mais à esquerda - de quem vê por cima), quarto lugar; e, no terceiro ou no quinto (ou mesmo no quarto), tu. A olharmo-nos, a olharmos a letícia nos olhos das criancinhas que na skene brincam, a olharmos o canto do lago, ao fundo esquerdo, e a perdermo-nos depois um no outro. Dia mágico, que para ser real bastavas tu.

10 junho 2006

JORNADA - 1

São oito e cinquenta e oito. Ainda penso em ti. Falta uma hora para que o comboio chegue, e não me sais da cabeça. Lá, para onde vou, também lá estarás, tal como estás aqui? Eu sei que sim, inevitavelmente, porque não penso em mais nada senão em ti. Tua levo uma imagem, na qual sorris de uma forma indescritível; talvez a única coisa a dizer é que é um sorriso teu, e isso dá logo a ideia da unicidade do esplendor daquela imagem, que terceiros fizeram. Vou olhá-la atentamente, não para não te esquecer mas para me alimentar. Tu bastas-me, e eu quero bastar-te.

03 junho 2006

Espelho meu, haverá alguém mais bela que ela? Pois sim, seu campónio depravado, há; mais bela que ela só ela sem ti, só aquela "ela" que não conheces, porque é a que não te conhece. Ouvindo isto, não tive outro desejo senão fazê-la ainda mais bonita; além de não me conhecer, nunca se cruzaria comigo. Decidi com toda a minha resignação. Mas quem sou eu para decidir ou, sequer, resignar?Eu sou daqueles que, fruto da noite, se embebedam do mal alheio e o tornam seu. Se calhar por isso os deuses, aproveitando para me contrariarem, me aproximaram dela. Sou uma sanguessuga dos podres que grassam nos seres que procuram aproximar-se da perfeição da felicidade. Eles têm esse objectivo; eu sou algo que não pode sequer pensar em objectivos: minha única função é sacrificar-me para e por eles; por todos eles; mas fui destacado para ela.

07 abril 2006

A viagem foi muito cansativa. O ar frio e húmido inutiliza os panos encardidos e sujos em forma de roupa que me cobrem. É noite. No meio das casas escuras e precárias, uma que emana luz; uma taberna. É disto que preciso; um bom vinho, uma mulher fácil de formas cheias, uma cama para passar o resto da noite. Cá fora, uns porcos vão tratando da imundície que atola o chão enlameado. Antes de entrar, ajeito o alforge onde levo a razão da minha presença aqui: um documento de vital importância que o Rei, refugiado num pequeno bosque rodeado de inimigos, envia ao seu cunhado, rei desta terra, e seu único aliado. Que acontecerá se o papel se perder? Muitas vidas, e se calhar entre elas todas onde corre o mesmo sangue que em mim, cessariam em menos de um mês. Se entrar nesta taberna, deitarei por terra o futuro da insígnia que, à nascença, tatuaram-me no peito? O vinho, terá veneno? A mulher, uma espiã? A cama, meu último e eterno repouso? O meu corpo está mais fatigado que o do atleta-hoplita próximo de Atenas, falta-me ainda um par de dias de viagem - mas não posso parar. Não vou parar. A vida do Rei acima das hesitações do meu corpo.

04 dezembro 2005

Não sabes? Não sabes mesmo? Então eu lembro-te: dói-te a cabeça porque foste lá. tantas vezes eu te disse: não vás!, não vás!, não virás bem de lá! acabaste por ir, e eis o estado desumano em que surges. Ah, pois é, sim, mas mais desumano do que costumas ser. É bem feito! Aquilo não é lugar para ti. Por acaso viste as flores? Sim, lindas, não eram? Ah foste cheirá-las! Já sabes então donde vem essa dor de cabeça que é maior que a tua área cranióide. O pólen dessas plantas, ó grande imbecil, é só para quem nasce apto a captá-lo para o consumir; para quem, em contacto com essas lindas florzinhas, se torna um-só com elas, e o pólen, droga de vida, flui entre um e outro em júbilo. Vá, encosta-te aí, no teu canto, e deixa para os outros o que não é para ti.

27 novembro 2005

A luz fraca vai chovendo pelo móveis abaixo; na caixinha cinzenta, um parvo qualquer entretém as massas; no sofá, jaz o teu corpo mole. Os teus olhos vão-se fechando às vezes, como se quisessem evitar ter de ver a miséria em que te tornaste; consegues ainda ver a tua mão amortecida sobre o braço do móvel que te sustém, e lembras-te dela a agarrar os carros, as canetas, uns seios. Um mundo de ouro que, contra a previsão, oxidou. Finalmente os olhos fecham-se, e a pouco o som que vai irritando o ar também vai ficando mais longe, cada vez mais longe, até que de repente um ruído surdo te entope os ouvidos. É ELA que entra, atravessando, como um navio num mar tempestuoso, as vagas de ar que te sufocam.

28 abril 2005

Querias estar vivo quando esse ano ocorrer? então não podias estar vivo agora. não a conhecias. não serias escamoteado por aqueles em específico. outros talvez to fizessem, mas o que importa é que se vivesses nesse ano não serias tu; só tendo nascido quando nasceste, onde nasceste e donde nasceste é que pudeste ficar assim. não queiras o que não se relaciona contigo. lembra-te: ela, sempre ela! ela é já razão suficiente para estares aqui agora, a consumir estas matérias, estes produtos. este arroz que comes: é teu, só teu, só de agora, só dura enquanto o levas até ti. ninguém mais o vê, só tu. tu! como se tu pudesses ver mais alguma coisa além dela! por muito que o negues, por muito que o não mostres, por muito que ela te queira, te mostre que te quer sem lho responderes. porque o fazes? porque és assim, hás-de ser sempre assim: nasceste assim. morrerás assim. até lá, ama-a, ainda que nunca se materialize o que se insinua entre vocês. ama-a da forma como concebes o Amor, a Relação, todo o propósito de ambos existirem. continua a amá-la, e quando estiveres numa fase em que descais para quem está mais perto de ti, em mais fácil acesso, algo há-de ocorrer que vos volte a chocar. como o que acaba de acontecer.amanhã já não te lembras, mas hoje não te sai da cabeça. ama-a. ainda que venhas a acabar tal qual como estás.QED

10 abril 2005

A vida na selva é regida por uma lei: a anarquia. Quem pode, salva-se, isto é, apodera-se dos lugares mais respeitosos - mas não é por ocupá-los que de imediato ficam isentos de riscos: é precisamente por os ocuparem que correm mais riscos, porque todos os outros ambicionam estar onde estão. Nesta selva, eu estou, entre muitos, no lamaçal. Mas eu sei que estou no lamaçal, enquanto outros, que aqui estão comigo, julgam estar lá em cima, nos galhos últimos das árvores, onde nem as cobras vão e donde se diz que se vê toda a selva. Vivem, pois, nessa ilusão, mas só a aplicam a eles, porque quando olham para nós, os que não têm essa ilusão, e portanto não concordam com eles, acham que nós é que somos quem está no pior lugar. Não aceitam quaisquer confrontações, a sua ilusão consome-os e não desaparece. Eu sei que estou no lamaçal porque, apesar de não ter nada, não me dão nada, nem tenho hipóteses de um dia vir a mudar para um sítio mais seco. Sei que é esta a minha condição, e embora Séneca e Nietzsche se degladiem sobre se é bom ou mau, respectivamente, estou aqui, eu, que sei que nenhum deles aqui esteve, aceito o lugar, não só porque é aquele onde à partida surgi e donde nunca saí, mas também porque quero evitar as longas e dolorosas quedas daqueles que cá vêm parar vindos de lá de cima.

28 março 2005

Uma banal livraria numa esquina para a rua principal. Chuva miudinha mantém a cara fresca e um estado de espírito doentio favorável ao aspecto zombie que se tornou moda no mundo digital. O sujeito (sem nome, à boa maneira neo-realista), entra pois nessa loja. O seu objectivo é não mais que este: gastar dinheiro, ainda que lhe tenha custado mais a ganhar do que o seu verdadeiro valor. Uma escolha demorada para conseguir a melhor decisão. Mas a cereja do bolo torna o gosto pelo livro escolhido em bolo, melhor, em massa da base: um par de olhos vulgares, banais, redondos como todos, sérios como todos, castanhos como muitos. Só que o brilho; a imagem que se vislumbra para lá do globo ocular, mera janela rústica de um palácio de rei-sol. Porém, de imediato o fim da primeira ficção: ouro anelar num dedo. Logo nova esperança: forbidden fruit. Não: a voz dela diz que não, e de novo os carros, as nuvens, a inexistência de uma razão pequena para se conhecer a vida.
In Principio Erat Verbum: não, no princípio havia o nada que bastava. A palavra veio relegar o nada, extrema felicitas, para o lugar da impossibilidade. O uerbum, como um vírus, apoderou-se de todo o espaço. Deixemos o nada emergir da clandestinidade, e aperceber-nos-emos do que se é.