19 dezembro 2006

Sugestão para o Natal...

14 dezembro 2006

Dos tempos do professorado

Well, Is it true what they say about it
You wanna do what I do and I doubt it
And then they tell you anything about it
Yeah, I know

I got some people say it's this way
I got some people say it's that way
And then some people say there's no way

Hell, I know

[Chorus:]
See that idiot walk
See that idiot talk
See that idiot shock up his name on the backboard
See that robot walk
See that robot talk
See that robot write up his name on the battle
They say this is all I need you to get by
The truth is, baby, it's a lie-ie-ie-ie-ie

Well, Is it true what they say about it
You gotta do what I do and I doubt it
I announce I wanna do something about it
Ain't it fair

I got some people doing it this way
I got some people doing it that way
And then some people
Ain't it fair

[Chorus]

I got a martulation
And through a miracle of bad equation
You gave up and you started thinking
They were true

If you are beauty and combination
Body at work and a mind on vacation
We're on a tray we started thinking
It was you

[Chorus]



The Hives, Walk, Idiot, Walk

12 dezembro 2006

MAR DE ROSAS

Nós sonhamos rosas
Sós na solidão
E vivemos num mar de prosas
Ai, com rosas no coração

Pintando vidas
Construidas talvez em vão
em jardins de rosas perdidas
Ai, no vento duma paixão

E, nos amores
vai-se a razão
Risos e dores
Versos e flores
Quanta ilusão

Nós vivemos num mar de rosas
Ai, com espinhos no coração
Nós vivemos num mar de rosas
Ai, com espinhos no coração

Misteriosas
Estas rosas na minha mão
Mas não há milagres nem rosas
Ai, quando nos dizem que não

Outros caminhos
Com pés no chão
E de novo vamos sozinhos
Ai, ninguém nos pede perdão

Nem os amores
Nem a razão
Risos e dores
Versos e flores
Dura lição

Como se as horas formosas
Pudessem dar rosas
Que os sonhos não dão

Nós vivemos num mar de rosas
Ai, com espinhos no coração
Nós vivemos num mar de rosas
Ai, com espinhos no coração

Carlos Paião

02 dezembro 2006

(...) Sou aquele que, esta noite, te viu partir, que olhou para ti quando os teus olhos se despediram e que não pôde fazer nada senão olhar para ti, o corpo que foi meu, e vê-lo afastar-se, cada vez mais longe dos meus braços. Sou aquele que nasceu lá no sul, longe de toda as desilusões, no lugar onde o passado pára, no último lugar do passado. Sou aquele que sonhou com tudo aquilo que é proibido sonhar. Sou aquele que é todos estes e muito mais do que estes e que caminha por um passeio deserto, o nevoeiro, o brilho morrente da luz na água fina da chuva, sob um céu cinzento, sob a lua como um ponto para onde tudo se dirige. Caminho nesta manhã como se entrasse dentro de uma casa vazia, a casa que conheci, que foi minha e que abandonei, como se subisse as escadas dessa casa de salas mortas, cadeiras mortas, camas mortas, como se me aproximasse da janela e olhasse lá para fora, como se uma voz negra e terrível me atravessasse.
A manhã é ainda lunar.
Nunca mais poderei deixar o meu corpo esquecido junto ao teu. O mundo que não existia longe da tua pele. Os meus dedos a deslizarem pela superfície da tua pele. E o desejo enganava-nos. Os meus dedos entre os teus cabelos e a inocência. A claridade dos dias que nasciam na tua pele branca, na forma suave da tua pele feita de silêncio. A inocência repetida em cada palavra da tua voz, como água de uma fonte, como a minha mão a atravessar o ar e a dirigir-se para o teu rosto. O teu olhar era a inocência. O meu olhar. E o silêncio de cada vez que queríamos falar de assuntos mais impossíveis do que a memória. Nunca mais poderei sonhar porque tu não estarás ao meu lado e, descobri hoje, só posso sonhar contigo ao meu lado. Espetada infinitamente em mim, uma faca infinita. Deixei de imaginar o futuro. Sobre esse tempo que não sei se chegará existe um manto muito mais negro do que aquele que cobre o passado. Não consigo olhar através desse tempo negro. O futuro estará depois de muitas noites, mas eu deixei de imaginar as noites. Sei que, da mesma maneira que esta noite se cobriu de manhã, esta manhã poderá anoitecer. Consigo imaginar cada tom das suas cores a tornarem-se negras. Não consigo imaginar este tempo a transformar-se noutro tempo. Contigo, perdi tudo o que fui para não ser mais nada. Deixei-me ficar nos sonhos que tivemos. Abandonei-me. Nunca mais entenderemos a lua como quando acreditávamos que aquela luz que atravessava a noite nos aquecia. Nunca mais. Nunca mais poderemos sonhar. Nunca mais. (...)

José Luis Peixoto, Lunar