13 dezembro 2007

Não gosto de ser vulgar, igual aos outros, mas sou-o em imensas coisas. Isso pesa-me mais vezes do que eu gostaria. Se há coisa em que não me importe de ser igual aos outros é em ser fã incondicional de José Luis Peixoto, que conheci por intermédio da Ângela. Tivesse ele apenas guardado o Cemitério no seu lugar... Ainda não vi a Cal. Lido e relido dezenas de vezes, o seguinte texto da Criança em Ruínas nunca deixa de ser perturbador, mas, como o autor, um grande trabalho da língua portuguesa:

esse filho só de sangue que te escorre pelas pernas
sou eu. podíamos ter-lhe ensinado as palavras, mas
o seu nome é agora de sangue. podíamos ter-lhe
mostrado o céu, mas o seu olhar é agora de sangue.
podíamos ter fechado a sua mão pequena dentro da
nossa, mas a sua mão é agora de sangue. esse filho
só de sangue que te escorre pelas pernas e morre
sou eu, o meu sangue e a minha memória.


Depois de ler este texto, como alguns outros do Peixoto, é como se eu tivesse andado à tareia e estivesse a sentir as mazelas no corpo...